InícioInícioTorneios de Xadrez OnlineDownloadsJogarRegistrar-seBuscarConectar-se

Compartilhe | 
 

 Entrevista com Rafael Leitão

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo 
AutorMensagem
avatarLeon Mendes

Idade : 40
Posts : 3334
Agradecido : 370
Cadastrado : 02/08/2011
Rio Grande do Sul

MensagemAssunto: Entrevista com Rafael Leitão   Dom 03 Jun 2012, 13:10



Entrevista com Rafael Leitão realizada pelo site AJUX:

PERGUNTAS:

Conte-nos um pouco sobre o indivíduo Rafael Leitão, seus gostos, hobbies, etc.?

Sou uma pessoa tímida e caseira. Gosto de viajar e da adrenalina da competição. Minhas atividades prediletas são aquelas que me permitem esquecer do mundo “real” e seus problemas. Daí vem uma grande parte da minha atração pelo xadrez. Também gosto muito de cinema, literatura, navegar pela internet e assistir um bom jogo de futebol na tv.

A lista dos seus títulos disponíveis em seu site (http://academiarafaelleitao.com/developer/) parece estar desatualizada, pois só vai até o ano 2008. Quais os outros títulos já conquistados por você daquele ano até os mais recentes?

O site está desatualizado, realmente. Tenho planos de reativá-lo em breve. Os títulos mais importantes desde 2008 foram um Campeonato Paulista, o Torneio Aberto Bienal João Braga, em SP (a maior premiação já oferecida em um torneio aberto no Brasil) e o Campeonato Brasileiro 2011.

Qual o título que você conquistou e considera como sendo o mais importante de sua carreira até hoje?

O campeonato mundial infanto-juvenil, na Espanha, em 1996. Eu tinha 16 anos e competia com adolescentes de até 18 (era meu primeiro ano de categoria). Além do mais, o torneio era fortíssimo, com vários enxadristas que hoje têm mais de 2700 de rating, um deles foi até Campeão Mundial (Kasimdzhanov).

Qual(is) foi(foram) o(s) momento(s) mais marcante(s) nos torneios já disputados por você?

Os momentos finais dos meus dois títulos mundiais, em 91 e 96.

Contra quem foi a sua vitória inesquecível e por quê?

Contra o GM Alexander Baburin, em Bermuda 1998. Nessa partida eu joguei o melhor lance da minha vida (15.Ca4). (vejam PGN desta partida abaixo).

Contra quem foi a sua derrota inesquecível e por quê?

Não foi uma derrota, mas sim um empate. Na última rodada do Campeonato Mundial sub-16, em 1995, em Guarapuava. Se eu vencesse seria campeão mundial, mas empatei e perdi o título para o Stevic, da Croácia.

Se fosse possível voltar no tempo, qual lance que você fez (ou deixou de fazer) e corrigiria? Existe aquele lance que ficou “engasgado” por não ter sido feito?

Temos que aprender com os erros e seguir em frente, mas sem arrependimentos. No xadrez e na vida!

Qual o melhor enxadrista de todos os tempos em sua opinião e por quê?

Bobby Fischer. Ele sozinho quebrou a hegemonia soviética e conquistou, na sua trajetória final rumo ao título, resultados que até hoje não foram superados.

Em que ou em quem se baseia seu estilo de jogo?

Meu estilo é “intuitivo posicional”. Meu modelo é Karpov.

Conte-nos um pouco sobre sua experiência de treinamento com o Mark Dvoretsky. O que foi mais marcante?

O mais interessante foi viver duas semanas na capital mundial do xadrez, vivendo e respirando o jogo, 24h por dia. Estar em um local onde enxadristas são respeitados e valorizados e observar todo o esforço e seriedade com que o Dovretsky encara o seu trabalho – tudo isso tornou essa experiência única.

Qual sua frase preferida sobre o xadrez?

“O xadrez é a ginástica da inteligência”. Acho que quem escreveu isso foi Goethe.

Quanto tempo por dia você se dedica ao estudo ou prática do xadrez?

Estou em atividades relacionadas ao xadrez (treinando ou dando aulas) durante pelo menos seis horas diárias.

O que o xadrez representa em sua vida?

Minha profissão – e felizmente eu trabalho com o que eu amo.

Quais seus objetivos/metas com o Xadrez?

Quero entender melhor o jogo – melhorar minha posição no ranking mundial seria consequência, mas não é o principal. Também tenho a ambição de “formar” um grande enxadrista.

Quais livros ou programas de Xadrez você recomenda?

Chessbase, Houdini e todos os livros do Dvoretsky.

Em sua opinião, quais as características essenciais a um bom enxadrista e quais erros principais a serem evitados?

Um bom enxadrista precisa de muita disciplina para treinar, vontade de vencer e boa capacidade de concentração. Talento ajuda também! O principal erro é ficar decorando livros de abertura quando não se entende as outras fases do jogo.

Quais dicas você daria aos enxadristas que estão começando neste esporte? O que e de que forma um enxadrista amador deve estudar para melhorar seu jogo?

Deve treinar cálculo todos os dias, jogar com moderação na internet e estudar detalhadamente todas as suas partidas.

Vários enxadristas ficam muito tensos durante as partidas, outros choram quando perdem, etc. Você possui alguma técnica ou sugere algo para o controle emocional dos atletas durante os jogos?

Esse é um terreno muito pessoal, não creio que haja uma fórmula genérica. Cada enxadrista deve analisar a sua forma de lidar com a tensão. O ideal é canalizar a tensão para algo positivo. Todos os grandes desportistas atuam melhor quando estão sob algum tipo de pressão.

Sabemos que, infelizmente, há duas realidades na condução do esporte Xadrez em nosso país, seja nas escolas, seja nos clubes e federações. Aqueles que promovem este esporte por amor à causa e pelos benefícios do mesmo, e aqueles que visam somente o lucro. Em sua opinião, o que poderia ser feito para se manter a integridade deste salutar esporte?

Em todos os esportes no Brasil existem pessoas abnegadas e pessoas interessadas. Este é um problema de difícil situação. É normal que as pessoas almejem o lucro em suas atividades, não há nada de anormal nisso. O problema ocorre quando tudo gira em torno do lucro pessoal. Com o crescimento do xadrez no Brasil, passando pela popularização com o xadrez nas escolas, será possível criar um modelo de negócio que seja interessante para todos – empreendedores e enxadristas.

Como você vê a prática do Xadrez no Brasil?

Ainda é pouco desenvolvida e conta com pouco apoio, infelizmente. Há poucos torneios para os profissionais. Mas existe potencial de crescimento. O xadrez escolar está “na moda” em todo o mundo. Com projetos eficientes é possível alavancar o xadrez no Brasil.

Qual sugestão você daria para a melhoria desta prática esportiva em nosso país?

É preciso buscar parcerias e aproveitar projetos de incentivo fiscal para fazer grandes eventos. Precisamos de uma dose de ousadia e empreendedorismo. Estamos muito estagnados, mas é possível usar a imagem positiva do xadrez (jogo de inteligência, que desenvolve o pensamento, etc.) para angariar parceiros e realizar projetos mais ousados

FONTE:AJUX
http://www.ajux.comuf.com/

Voltar ao Topo Ir em baixo
avatarakros

Posts : 996
Agradecido : 138
Cadastrado : 16/02/2012
Santa Catarina

MensagemAssunto: Re: Entrevista com Rafael Leitão   Dom 03 Jun 2012, 16:16

Vlw Leon!

Ótima entrevista! bom

Gostei das respostas do nosso GM Rafael Leitão. Sinceras, modestas, carregadas de experiências e instrutivas! adoração

Um ídolo nacional que merece todo o nosso respeito e admiração, seja como GM, seja como o tímido e caseiro Rafa Pig. :sm165:

____________________________________

Adote o Sistema alfa-numérico Internacional de aberturas em suas referências à Aberturas nos seus posts neste Fórum - ECO - Encyclopedia of Chess Openings
Voltar ao Topo Ir em baixo
 

Entrevista com Rafael Leitão

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo 
Página 1 de 1

Permissão deste fórum:Você não pode responder aos tópicos neste fórum
Tabuleiro Social :: Discussões & Debates :: Caíssa Café-