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 Sistema de treinamento - Daniel Brandão

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MensagemAssunto: Sistema de treinamento - Daniel Brandão   Qui 29 Mar 2012, 13:01

Sistema de treinamento



Um sistema de treinamento adequado não é simplesmente um conjunto de temas sobre os quais se deve acumular conhecimento mecanicamente. O treinamento adequado tem natureza orgânica, indivisível, e fundamenta-se no desenvolvimento da percepção, compreensão e reação - essas podem ser consideradas as habilidades do enxadrista. A título de esclarecimento, uma breve descrição sobre o significado dessas habilidades:
A percepção é o poder de recolher informações (de qualquer natureza) sobre determinada posição;
A compreensão forma o senso crítico do enxadrista, que irá filtrar as informações "percebidas" e ordena o quê é relevante e por quê;

A reação é a capacidade de combinar elementos abstratos (percebidos e filtrados) e tomar atitudes em seu favor.
De acordo com a minha teoria, o conhecimento ou a memorização não são considerados habilidades, mas acompanham todo o processo de aperfeiçoamento técnico.

Uma vez firmado o objetivo do treinamento (desenvolver a percepção, a compreensão e a reação), podemos focar nos temas a estudar: finais, tática, estratégia e aberturas. Chamo este grupo de fundamentos técnicos, tal qual o "saque" ou o "bloqueio" no vôlei; são divididos assim por sua característica distinta, que exige um método de aprendizado diferenciado.

A ordem dos temas expostos acima não foi ocasional. Baseado na opinião de mestres e em minhas observações, a respeito de meus alunos e a mim mesmo, os finais devem ser a prioridade inicial do enxadrista. É claro que não pode ser regra estudar somente os finais quando se inicia, nem é regra estudar exclusivamente algum tema em nenhum momento; estuda-se de tudo, sempre, mas deve haver prioridade no estudo, de acordo com as próprias necessidades. Por isso recomendo que, no estágio inicial do aprendizado, os finais sejam priorizados.

Essa idéia não é nova. Na verdade, Capablanca já afirmava em sua época e foi seguido por uma série de treinadores desde então. Cito aqui Capablanca porque foi em sua compilação "Lições Elementares de Xadrez" que passei a ver essa recomendação com outros olhos. Segundo ele, após a abertura e o meio-jogo chegamos ao final; por isso, devemos considerar que toda a partida bem jogada deve ser decidida no final, senão, algum dos contendores cometeu erros graves e permitiu uma derrota nos estágios primários - aí está uma justificativa lógica para iniciar pelos finais: de nada adianta jogar em bom nível a abertura e o meio-jogo se não se sabe jogar o final. Penso que isso, apenas, não é justificativa suficiente pois pode-se argumentar "mas se não souber jogar a abertura e o meio-jogo, pode-se perder antes de chegar ao final!". Pois bem, há um segundo motivo: os lances efetuados na abertura irão moldar a posição do meio-jogo, bem como os lances efetuados no meio-jogo darão origem à posição do final; portanto, um final pode emergir vantajoso ou desvantajoso de acordo com os lances efetuados nas fases que o precederam. O enxadrista que não sabe jogar os finais também não compreenderá muitos lances na abertura e meio-jogo que servem para obter uma possível posição de final superior ou para evitar uma posição de final inferior para si.

O estudo dos finais tem dois objetivos:

- Construir um repertório de posições de final exatas (durante uma partida, um enxadrista se encontra sempre em dois tipos de posição: exatas, quando ele sabe exatamente o que fazer e como proceder, ou problemáticas, quando está em terreno desconhecido e precisa analisar profundamente e tomar uma decisão por si);
- Assimilar conceitos gerais válidos para tipos específicos de posição de final (de acordo com o material restante, a posição dos reis ou a estrutura de peões, por exemplo).

A partir desses objetivos, o estudo dos finais exige quatro tarefas:
- Analisar em profundidade posições elementares; as características que as distinguem, o método de jogo (modus operandi) e os recursos que possuem ambos os lados (as minúcias da posição), criando assim um repertório de posições de final;
- Analisar finais de partidas magistrais, comentadas pelos próprios mestres, a fim de absorver suas idéias;
- Comentar, por si, finais de partida magistrais para posteriormente comparar com os comentários dos próprios mestres;
- Analisar e comentar os próprios finais, em partidas de torneio e treinamento.

O segundo tema, na ordem de prioridade, é a tática. Todo o jogador iniciado compreende a diferença de estratégia e tática, mesmo assim deixarei aqui uma pequena síntese: tática é o fundamento que engloba as operações forçadas que visam um objetivo específico e imediato - muitas vezes o ganho material ou mate. Cabe aqui observar a correlação entre tática e estratégia, fazendo claro o motivo do estudo tático ser priorizado antes do estudo da estratégia: a estratégia se relaciona aos elementos de longo prazo em uma posição: análise, avaliação e planejamento - elementos intuitivos e abstratos; a tática se apresenta no imediato e sempre se revela clara, ao alcance dos olhos. O raciocínio estratégico depende da perícia tática, senão careceria de objetividade, afinal, todo o bom plano deve prever golpes e armadilhas; a tática, por sua vez, não depende diretamente da estratégia: é possivel efetuar golpes táticos sem conhecer sequer o signifcado da estratégia no xadrez (muito embora seja a perícia estratégica que constrói posições vantajosas e, consequentemente, chances de golpear a posição adversária, estabelecendo assim uma dependência indireta).

O estudo da tática tem três objetivos:

- Desenvolver a sensibilidade tática - um sentido de alerta que indique quando há perigos ou oportunidades;
- Aprimorar o poder de cálculo de variantes;
- Preparar o enxadrista para posições taticamente complexas e ricas, onde a análise estratégica se torna quase ou totalmente supérflua, cedendo o papel principal à sensibilidade tática e ao cálculo de variantes.

A partir destes objetivos, o treinamento tático exige duas tarefas:
- Encontrar o melhor lance em posições onde um dos lados dispõe de uma operação tática ganhadora [no popular: realizar exercícios de "joga e ganha"...]
- Selecionar uma posição complexa onde não há, necessariamente, um ganho forçado mas é rica taticamente para então "desmembrá-la": calcular as variantes consideradas relevantes, uma a uma, observar os perigos, oportunidades e assinalar uma continuação, tomando nota de todas as variantes importantes. É interessante usar um tempo limite (de 15 a 40 minutos, dependendo da posição) e trabalhar na tal posição até que o tempo se esgote - o objetivo não é encontrar uma resposta "certa", mas calcular de forma ampla, profunda e organizada.

Uma vez construído um repertório razoável de posições de final e estando familiarizado com a tática, a estratégia deve ser priorizada. Este é, certamente, o fundamento mais importante e difícil do xadrez. Enquanto o estudo de finais e aberturas resumem-se à fases do jogo, a estratégia (assim como a tática) está presente ao longo de toda a partida e, diferente da tática, não é um campo onde há certezas vistas a olho nu: toda a estratégia se baseia em métodos, indícios e padrões - onde há um enorme espaço para exceções e divergências de opinião. Como esclarecido acima, a estratégia é o fundamento que trata do longo prazo no xadrez - análise, avaliação e planejamento -, e é aí que reside o controle sobre os acontecimentos em uma partida. A estratégia é o maestro dos fundamentos técnicos: está presente nas aberturas, orienta o caminho correto no final e é o sucesso na luta estratégica que aumenta as possibilidades de golpes táticos.

O estudo da estratégia se dá em duas etapas, uma de reconhecimento e outra de aperfeiçoamento.

Na etapa de reconhecimento o enxadrista tem como objetivo dominar a técnica de análise e planejamento. Para isso ele precisa:

- Conhecer os elementos posicionais (material, posição dos reis, potencial das peças, estrutura de peões e espaço) e suas representações durante uma partida, quer dizer, as formas como se apresentam estes elementos no tabuleiro, quais vantajosas ou não, etc. Num estágio inicial, provavelmente é necessário estudar algum manual de estratégia que descreva os elementos separadamente.
- Assimilar o modus operandi, o melhor método de jogo em determinadas situações;
- Aprender a analisar, identificando os elementos estratégicos mais relevantes em dada posição e a avaliar - pesar a posição própria contra a posição adversária, para saber qual lado está melhor ou se há equilíbrio (estático ou dinâmico);
- Aprender a traçar planos de longo prazo efetivos e coerentes com a análise posicional/estratégica e com a avaliação.

Depois que o enxadrista domina a técnica de análise e planejamento, precisa desenvolver sua nova perícia das seguintes maneiras:

- Analisando partidas comentadas por mestres;
- Comentando partidas magistrais por si, para posterior comparação com os comentários do mestre;
- Comentando as próprias partidas e, de preferência, publicando-as.

Por fim, resta apenas um fundamento, propositalmente deixado para o fim. Os iniciados no xadrez costumam buscar com avidez o conhecimento neste campo, sem perceber que isso é pouco ou nada relevante até um determinado estágio de compreensão.

A preparação de aberturas é uma poderosa arma, mas apenas nas mãos daqueles que são capazes de raciocinar estrategicamente, sobreviver às complicações e dominar os finais. e o pior: os amadores citeados acima, além de priorizar o estudo de aberturas (como se isso pudesse melhorar seus resultados por si), ainda as estudam da forma errada, simplesmente memorizando variantes ou posições chave - essa é a menor das etapas no processo de preparação, apenas um complemento.

Antes de trabalhar seriamente nas aberturas é preciso desenvolver-se até certo estágio nos outros fundamentos. Não sei dizer exatamente onde se dá essa divisão de águas, mas acredito que depende de cada um. O que todo o enxadrista deve ter em mente que a preparação de aberturas é uma arma de efeito, mas coadjuvante - o que define a disputa é o domínio dos finais, a compreensão estratégica e percepção tática. Uma boa preparação de aberturas pode, no máximo, proporcionar um meio-jogo favorável ou mais confortável e alguma vantagem de tempo no relógio. Raras são as vezes em que uma boa preparação define as coisas rapidamente - mesmo acertando na abertura, há uma longa luta a seguir.

Conscientes desse princípio, é o momento de explanar a melhor forma de estudar as aberturas. Como disse acima, memorizar variantes e subvariantes é uma pequena parte do todo, um complemento. O primeiro passo é selecionar um grupo de aberturas, chamado de repertório. Por exemplo, escolher se, com brancas, iniciará com 1.d4, 1.Cf3, 1.e4, etc. A partir de então sobra um número reduzido de aberturas para estudar. Da mesma forma, escolher uma maneira de combater, com negras, a 1.e4, 1.d4, 1.c4, etc. Assim, com um grupo seleto, o trabalho requer menos tempo de estudo.

Uma vez selecionado o repertório, começa-se a trabalhar nas aberturas escolhidas, com os seguintes objetivos em sua respectiva ordem:

- Compreender o fundamento estratégico da abertura - o que há de mais genérico em sua concepção;
- Dividir a tal abertura em subgrupos, classificados pelo tipo de estrutura e disposição de peças resultante, e compreender os planos de desenvolvimento plausíveis em cada um desses subgrupos de posições;
- Familiarizar-se com o tipo de meio-jogo resultante em cada abertura selecionada e os temas táticos recorrentes;
- Estudar as variantes para aumentar a precisão na hora de conduzir o plano de abertura e economizar tempo no relógio durante a partida.

Esses quatro objetivos servem para que o jogador se integre com a abertura, esteja familirizado com seus objetivos estratégicos e por isso não fique sem direção quando sua memória não puder mais ajudar. Há um ponto importante que engloba todos esses objetivos e é negligenciado pela maioria dos enxadristas que gastam sua energia estudando aberturas: é preciso verbalizar as idéias da abertura. Não basta saber os lances; é preciso saber por quê são feitos, para onde levam e como se portar nos tipos de posição que surgem após a abertura.

O estudo desses quatro fundamentos provê o que o enxadrista precisa do ponto de vista técnico. Reafirmo que, diferente dos chamados fatores secundários, o desenvolvimento deste componente da força só depende do próprio esforço e disciplina. Também é importante acautelar que o desenvolvimento da técnica é uma fase preparatória, anterior às batalhas. O enxadrista deve, nos intervalos entra as competições, usar todo o tempo que dispor para se preparar tecnicamente e avaliar suas performances anteriores (a única forma de desenvolver de forma concreta os componentes secundários da força). No momento da competição não há tempo nem energia disponível para refletir sobre esses dois componentes:
o único foco do enxadrista deve ser a terceira parte de sua força, que será detalhado em um próximo post.
FONTE
http://xadrezdojo.blogspot.com.br


Última edição por Leon Mendes em Ter 03 Abr 2012, 11:34, editado 3 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Sistema de treinamento - Daniel Brandão   Qui 29 Mar 2012, 16:26

"- Preparar o enxadrista para posições taticamente complexas e ricas, onde a análise estratégica se torna quase ou totalmente supérflua, cedendo o papel principal à sensibilidade tática e ao cálculo de variantes."

Interessante que ao ler esta frase me dei conta que está incluído no conceito de estratégia pensar em resultados como peça de vantagem, duas torres por dama, 4 peças por dama, bispo e 3 peoes por torre enfim, taticamente você consegue enxergar até certo ponto devido também a pressão do tempo, este ponto pode ser uma troca de qualidade, enfim alguma coisa do gênero mas que não está claro matematicamente a obtenção de vitória na posição final devido a tal troca então isto acaba por ser parte de um plano estratégico que o resultado final (que dentro da combinaçao pode vir a ser a melhor coisa para o adversário porque nas outras variantes podem decorrer perda de material, por exemplo - aqui tb se inclui estratégia, perder material é perder partida?) é uma troca que cai em uma posição ainda a se estudar (mas se já estudada, então já matematicamente conhecida o plano de vitória). Não sei se me expressei bem, os termos no xadrez se confundem as vezes porque temos tática, estratégia, conceitos posicionais, enfim, as vezes eles se confundem. Mas gostei do texto, só quis expressar algo que me veio a mente agora que falta até saber onde estamos pensando em estratégia, onde estamos calculando com precisão as possibilidades? onde o cálculo trava e ficamos só com a estratégia? Essas coisas.
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MensagemAssunto: Re: Sistema de treinamento - Daniel Brandão   Qui 29 Mar 2012, 17:28

Pois é...eu analiso primeiro a tatica em jogo e depois a estratégia.Tipo,eu analiso ameaças de ambos lados e só depois ,se não houver ameaças taticas,analiso a questão da estrategia,como,por exemplo,desenvolvimento das peças,controle do centro ,etc...mas creio que a tatica pode servir (ou deve servir) a estrategia ,como desenvolver peças atacando,etc...e mais os exemplos acima que você deu.Enfim,realmente tudo tem uma ligação nem que seja sutil.


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MensagemAssunto: Re: Sistema de treinamento - Daniel Brandão   Qui 29 Mar 2012, 19:17

eu tentei abrir uma discussão sobre o que seria estratégia, mas é que tem posições que já consideradas , digamos como "provadas", tipo sem necessidade de provar, já é dado como estudado antes de se jogar partida de alto nível por exemplo. Como obter peça a mais vem de cálculos de tática, talvez não entrasse na estratégia, pois é dado pelos jogadores como "já rpovado matematicamente a vantagem", digamos assim. Daí que a estratégia vem suprir apenas o que ainda não foi "devidamente provado". Mas daí que quanto mais se conhece posições "provado a veracidade da vantagem" mais reforça a frase publicada por ti "- Preparar o enxadrista para posições taticamente complexas e ricas, onde a análise estratégica se torna quase ou totalmente supérflua, cedendo o papel principal à sensibilidade tática e ao cálculo de variantes."

Acho que isso, espero não ter me atrapalhado com as palavras e que elas tenham fugido de um sentido logicamente correto a voces, hehe.
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MensagemAssunto: Re: Sistema de treinamento - Daniel Brandão   Qui 29 Mar 2012, 19:18

...e que elas NÃO tenham fugido.... hauhua
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MensagemAssunto: Re: Sistema de treinamento - Daniel Brandão   Qui 29 Mar 2012, 22:01

parabens Gostei, ótimo texto! positivo

Alguém saberia me informar o autor desse texto? duvida

A forma como aborda o tema e, concisamente e de forma lógica trata cada ponto em pauta, demonstra experiência, familiaridade e domínio do assunto.

Com essa didática poderia escrever (se é que já não o fez) um excelente livro com exemplos e exercícios práticos. positivo

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Última edição por akros em Sex 30 Mar 2012, 08:52, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Sistema de treinamento - Daniel Brandão   Sex 30 Mar 2012, 07:55

Coloquei a fonte do artigo lá em cima ,artigo do Daniel Brandão do blog Xadrez Dojo:

http://xadrezdojo.blogspot.com.br/

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MensagemAssunto: Re: Sistema de treinamento - Daniel Brandão   Sex 30 Mar 2012, 08:51

Leon eu vi essa url, até visitei o blog e constatei que está inativo, uma pena.
Mas não achei esse artigo por lá.
Se não me engano o blog é do Daniel Brandão, li inclusive alguns posts dele e realmente gostei.

Mas é ele o autor ou reproduziu de outra fonte?
Grato positivo

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MensagemAssunto: Re: Sistema de treinamento - Daniel Brandão   Sex 30 Mar 2012, 08:55

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MensagemAssunto: Re: Sistema de treinamento - Daniel Brandão   Sex 30 Mar 2012, 10:40

Parece ser!

Gostei também de um comentário lá deixado, que repasso abaixo por julgar esclarecedor e complementar ao texto do post:

Laguna e TsuboApr 28, 2009 05:56 AM
no processo de estratégia há um detalhe:
1 - análise posicional, pontos fortes e fracos tanto seus quanto do adversário;
2 - vc formula seu plano;
3 - vc adivinha o plano adversário, a partir da análise posicional e dos lances que ele fez;
4 - calcula o CONFLITO DO SEU PLANO CONTRA O DO ADVERSÁRIO, verificando tempo e recursos táticos.

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MensagemAssunto: Re: Sistema de treinamento - Daniel Brandão   Dom 01 Abr 2012, 08:31

Recebi este email hoje:

Oi, Leon.

Sim, o texto foi redigido por mim. Mas já faz um tempo... rs
Continuo acreditando na maior parte do que está ali, mas algumas ideias evoluíram em determinados aspectos. E o texto foi escrito de maneira muito rebuscada... acho que hoje, com um pouco mais de experiência, eu conseguiria explicar tudo melhor e mais simples.

Se o pessoal do fórum tiver alguma dúvida ou ideia que não ficou bem clara, ficarei contente em ajudar.

Grande abraço
Daniel


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MensagemAssunto: Re: Sistema de treinamento - Daniel Brandão   Dom 01 Abr 2012, 16:55

A matemática do xadrez é bem difícil mesmo. Mas quanto mais nos aproximamos dela (táticas) , mais supérfluo ficam os conceitos estratégicos. Só que pra quem ainda não tem bem claro a matemática do xadrez (até pra um computador não está claro sua totalidade) a estratégia ainda é muito válida. Mas quanto mais pudermos reduzir a estratégia e tentar se aproximar da matemática melhor, mas pra isso muito estudo antes.
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MensagemAssunto: Re: Sistema de treinamento - Daniel Brandão   Dom 01 Abr 2012, 17:00

Exemplo de jogo que é dificílimo o cálculo matemático é o war. Inclui cálculos probabilísticos, no que fica inviável um cálculo matemático, aí são incluídos planos, estratégias. No xadrez já é viável a busca pela certeza matemática, mesmo que muito difícil. Talvez certezas em algumas posições, incertezas em muitas outras. Mesmo assim a estratégia parece ser mais próxima das certezas matemáticas no xadrez que no war por exemplo.
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MensagemAssunto: Re: Sistema de treinamento - Daniel Brandão   Dom 01 Abr 2012, 17:21

WAR?Aquele jogo de tabuleiro que tem conquistar os paises,etc...?
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MensagemAssunto: Re: Sistema de treinamento - Daniel Brandão   Seg 02 Abr 2012, 00:29

sim. War é aquele jogo de conquista. A inviabilidade de se calcular todas as combinações possíveis é que daria um cálculo gigantesco, pois teria que combinar decisão a decisão e ganhos e perdas nos dados para saber qual melhor variante. Humanamente inviável no que acabamos apenas contando com sorte nos dados, sem calcular todas as possibilidades e adotamos estratégias e não baseado em cálculos matemáticos devido as combinações possíveis de colocações de peças e perdas e ganhos nos dados e onde invadiria. Enfim, embora pareça estranho pensar a primeira vista, dá pra pensar em combinaçoes de variantes contando com perdas e ganhos de dados, mas parece ser humanamente inviável. A não ser que algum gênio consiga simplificar alguma fórmula, hahauau, mas creio q só no computador e mesmo no computador parece ser algo maior que as combinaçoes do xadrez. Se bem que nunca me arrisquei a calcular, enfim, a principio parece.
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MensagemAssunto: Re: Sistema de treinamento - Daniel Brandão   Seg 02 Abr 2012, 08:20

Mandei um email para ele:

Baseado neste sistema de treinamento:

- Quais os livros/programas de xadrez você nos recomendaria estudar?



Última edição por Leon Mendes em Seg 02 Abr 2012, 08:23, editado 2 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Sistema de treinamento - Daniel Brandão   Seg 02 Abr 2012, 08:21

Ele respondeu e eu posto aqui:

Leon,

Uma série bem abrangente e fácil de estudar é Xadrez Vitorioso, do Seirawan. Conheço os 5 (Táticas, Estratégia, Combinações, Finais e Aberturas), e todos eles conservam as mesmas características. O único que deixa um pouco a desejar é o Aberturas, já que o autor faz apenas um voo sobre cada uma, então é bem superficial. Geralmente recomendo esta série para os jogadores que estão começando a se desenvolver.

Para os jogadores mais avançados, recomendo:

Test your chess IQ do Livshitz - Excelente para desenvolver cálculo e visão combinatória. São 3 volumes, tenho treinado com o nível 3 com o objetivo de desenvolver principalmente poder de cálculo (são difíceis mesmo!) e estou bastante satisfeito;

Combination Art do Mikhail Blokh - São mais ou menos 1200 diagramas de joga-e-ganha, visando também cálculo e visão combinatória; a diferença é que este é mais "solto", a organização do estudo fica por conta do estudante. Conheci este livro através do César Umetsubo há uns 3 anos e continuo utilizando para mim e meus alunos;

Estratégia Moderna do Xadrez do Ludek Pachman - é antigo, talvez beirando o ultrapassado, mas ainda funciona pra quem está começando. Serve para entender os rudimentos do jogo posicional e os elementos estratégicos básicos. Não é minha prioridade nas minhas recomendações, mas é um bom título;

Estratégia do Darcy Lima e Júlio Lapertosa - o objetivo é o mesmo do de cima, entender melhor o jogo posicional e os elementos estratégicos que podem surgir numa partida. As partidas não são ricamente analisadas, mas servem para demonstrar o tema apresentado. Costumo utilizar para pesquisar partidas modelo e apresentar nas minhas aulas. Foi o primeiro livro que li, aliás;

The Reassess your chess Workbook do Jeremy Silman - o autor propõe uma maneira de pensar e oferece exercícios para treinar esse método de raciocínio. Muito bom para entender estratégia REALMENTE moderna do xadrez, nos exercícios apresenta posições que exige um reciclagem de conceitos batidos. Tenho utilizado no meu treinamento atualmente;

Finais do Max Euwe (não me lembro o nome direito, é um livro vermelhinho... rs) - muito bom para pesquisa de posições teóricas, apresenta e explica os detalhes de vários finais. Não é muito conceitual, mas serve como referência;

Technique for the tournament player do Dvoretsky - Se trata de finais e, assim como a maioria dos livros do Dvoretsky, é excelente para agregar conhecimento e entender com mais profundidade o jogo. Mas, também característico do Dvoretsky, é um livro difícil (mesmo!);

Dominando as aberturas no xadrez 1 e 2 do John Watson - Excelentes para compreender várias aberturas de maneira conceitual. O autor não abrange muitas linhas de cada uma, mas explora o plano principal contra determinada abertura e trata de explicar (em detalhes) as ideias estratégicas por trás de cada uma delas. Muito bons, pretendo conhecer em breve os volumes 3 (que fala sobre inglesa) e 4 (que ainda não sei do que se trata, mas pelo vi nos dois primeiros creio que posso confiar no autor);

Manual do Xadrez ou Understanding chess move by move do John Nunn - o livro é excelente, com uma abordagem bastante original e profunda. A tradução para o português é horrível, a pior que já vi, mas vale a pena explorá-lo (preferencialmente o original em inglês);

Ajedrez de Torneo ou Zurich 53 do Bronstein - simplesmente o melhor livro de torneio. Todas as partidas do torneio de candidatos de Zurich, 1953, quase todas comentadas;

Meus grandes predecessores do Kasparov - toda a série é fantástica. Pode não ser lá muito didática, mas pode acabar com a vida social do sujeito. As partidas comentadas, os detalhes históricos, as tiradas do Kasparov, enfim, tudo isso faz com que as 400 páginas de cada livro valham a pena. Não li todos, mas li o primeiro de cabo a rabo e conheço um pouco dos outros (o 2 já foi bastante explorado).

Esses são os livros que posso recomendar por experiência, mas certamente há outros bons. Espero que ajude o pessoal. Se quiser compartilhar este e-mail no fórum, fique à vontade.

Grande abraço,
Daniel
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MensagemAssunto: Re: Sistema de treinamento - Daniel Brandão   Seg 02 Abr 2012, 08:26

Valeu Daniel!
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MensagemAssunto: Re: Sistema de treinamento - Daniel Brandão   Seg 02 Abr 2012, 11:12

Legal da parte dele dispensar essa atenção !!

Relação interessante de livros com ótima referência e resumo!!

É isso ae!

Valeu Leon por correr atrás!!
Valeu Daniel !
positivo

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MensagemAssunto: Re: Sistema de treinamento - Daniel Brandão   Seg 02 Abr 2012, 14:18

Link comentado pela Raquel em outro tópico hoje:

http://www.cxf.com.br/arena.html

Aparece o Daniel Brandão,rating FIDE 2057.
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MensagemAssunto: Re: Sistema de treinamento - Daniel Brandão   Seg 02 Abr 2012, 14:38

A maioria dos livros recomendados já se encontram aqui no fórum para baixar.

:ada:
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MensagemAssunto: Re: Sistema de treinamento - Daniel Brandão   Seg 02 Abr 2012, 14:39

Achei que ele tivesse saído de Floripa...
Acho que esse seria o motivo dele ter parado com o blog.

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MensagemAssunto: Re: Sistema de treinamento - Daniel Brandão   Ter 03 Abr 2012, 10:32

Brandão é ponta firme pra c.....

Joga muito, eu tive sorte no JASC 2010 e ganhei dele, partida mais memorável da minha vida... Na verdade, acredito que nunca acontecerá algo parecido... Vou contar pros meus filhos.. Não pelo adversário em sí (ele tem nível tranquilo de 2150 de fide), por mais que ele seja forte, mas sim pela emoção que foi.. acredito que todos já ouviram a história, não vou ficar me repetindo, mas me emociono sempre que lembro dela.

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MensagemAssunto: Re: Sistema de treinamento - Daniel Brandão   Ter 03 Abr 2012, 11:41

Ah Eder, agora conta ae!! Putz agora a curiosidade acordou!
Se tiver algum post ou blog com essa história, passa ae o link!

:mail1: noticia

Pô ganhar de um elo 2000 é pra se orgulhar! positivo

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MensagemAssunto: Re: Sistema de treinamento - Daniel Brandão   Qua 04 Abr 2012, 14:11

Nem lembro onde está.. De qualquer forma..
Era JASC, 2 horas para 40 lances + 1 hora para K.O.
Chegamos por volta dos 30 lances, eu com 5 minutos no relógio e ele com 3..
Neste momento, nós dois paramos de anotar e não tinha mais como saber quantos lances tínhamos feito (do 30 em diante), o juiz então ficou do lado anotando a quantidade de lances.. O jogo acabou virando um ping alucinado, ele errou feio e consegui uma vantagem para ganhar a partida...
Ele errou mais uma vez e avistei o cheque-mate...

Toquei na minha peça e no MEIO do caminho, ele gritou: SETA! Meu tempo tinha caído..

Coloquei a minha peça no lugar e olhei pro juiz esperando a resposta..
Se não tivesse passado de 40 lances, eu teria perdido..
Se tivesse passado, eu teria ganho.

A resposta foi: Aquele era o 41o lance.. Isso é, se fosse um lance a menos, o 40o, eu não teria completado ele antes da seta ter caído.
Vitória minha, e conseguimos vencer Florianópolis de 3 a 1, com Lideo Delgado vencendo GM Matsuura em um jogo exemplar.

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Sistema de treinamento - Daniel Brandão

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